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7.1.10

entre músicas, palavras e um amor.

eu fico pensando sobre algumas bandas que muita gente não conhece. depois fico pensando nas bandas que eu não conheco e nas músicas. sempre tem alguma coisa tocando no meu itunes e às vezes você tá no meio daquela agitação. como hoje. um dia quase atípico e então você para. escuta. reflete. absorve a letra como uma esponja absorve a água e o sabão. mas você não consegue se apertar o suficiente pra fazer tudo sair. bom, eu pelo menos não consigo. vou absorvendo aos poucos e pensando. meu estado civil? livre. acho que nem eu mesmo sei. minhas ruas não tem mais nomes. mas a música continua ali tocando. e eu continuo parado absorvendo cada uma das palavras, mesmo que elas não tenham sentido algum. algo em mim está lendo essas letras e bolando uma coisa nova e só minha. talvez seja isso. talvez seja só meu. bingo! mas a lâmpada apagou antes que eu pudesse olhar pra cima e entender o que era só meu. vou continuar escutando a música e ruminando os velhos mesmos problemas. mudam de personalidade e de pessoa. eles exalam de mim como se eu fosse um incenso indiano num templo qualquer. mas a música parece que não acaba, mesmo tendo mudado. é como um disco riscado dentro de mim. e enquanto minhas palavras se renovam, minha vida também segue o mesmo rumo. e eu sei que em breve, muito em breve comparado ao tempo que eu já esperei, as coisas irão simplesmente começar a trilhar o caminho novo. eu tenho minhas próprias esperanças e crenças. eu tenho aquele lance de onde eu quero estar, com quem e porquê. a questão é fazer isso tudo sair do chão e entrar no mundo paralelo dos sonhos que se tornam realidade. acho que a música fala disso. poderia prestar atenção e descobrir que ali está a chave para tudo o que eu preciso agora ou posso simplesmente ignorar que já se passaram 3 músicas desde o início do post. interrompido para dar respostas que queimam antes do enter. dessa vez a música tem nome. talvez eu saiba a rua em que eu estou. metaforicamente falando. 'conversations' é a da vez. junto com o sinal de adição, conversação é a chave pra mim que abre todas as portas de um relacionamento duradouro. seja com teus pais, irmãos, amantes ou amigos. who cares? eu me pergunto. ainda sabendo que meu inglês para um pouco depois disso. convivência, você sabe. tem colocado essas palavras no meu cotidiano. que reviravolta não? e tudo com uma música. que eu já nem lembro mais qual era. então a gente pensa em todos os caminhos. engraçado quando as pessoas não tem fé em você mesmo. eu não ligo. eu sei do que eu sou capaz. só preciso de uma coisa, alguém pra me dizer: venha. ou vamos. mas se me falar: vá. então o abismo abre nos meus pés. eu fico estático. dividido. olho para todos os lados procurando uma direção. nessa hora a música vai parar. a letra vai sumir. as palavras que eu procurei também. tudo vai mudar. mas eu sei que isso nunca irá acontecer. eu sei o caminho que eu preciso seguir. e sei todas as respostas que eu preciso agora. só esperar a música parar, a chuva terminar de querer levar meu carro estacionado embora com a enchurrada e ver em qual direção, que porta vai abrir. pra mim e pra você. juntos. depois eu penso que música, afinal, tava tocando.


c ya.

28.4.09

Maracutaia virtual.

Ok, estamos flertando. Somos duas pessoas que estão se conhecendo. Agora vamos a um manual prático afim de simplificar as coisas.

Você está flertando com mais alguém? Ok, só não preciso ficar sabendo, mesmo que seja meu melhor amigo. Seja discreto e todos ficam bem. Afinal de contas, não temos nada.

Você já começou um relacionamento e achou que tudo seria incrível e ent
ão ele afundou? Você percebeu que talvez ele demorasse tempo demais falando 'ahhhhhn' no meio das frases e você ficava com uma vontade incontrolável de dar um tapa em suas costas para que a frase saísse por completo ou talvez ele mexe demais o café enquanto faz aquele barulho com a colherzinha e aquilo vai te dando uma cólera que a sua vontade suprema nesse instante é fazê-lo ficar com uma rosquinha na garganta igual a um desenho animado. Talvez morrer asfixiado. Você no suco de laranja ou ele na xícara de café com o amplificador metálico.

As
intenções? Qual é, não somos candidatos que temos que elencar quais serão as mudanças que iremos fazer no bairro, no centro, na favela que vai virar um amontoado de janelas verticais com roupas coloridas penduradas para fora e todos irão sorrir. Vamos ser os candidatos à vida. Sabe aquela que a gente foi deixando pra trás porque percebemos que era necessário tempo demais para ler os blogs, as dicas, escutar as músicas, o msn, os amigos, os rolinhos, as baladas e os temakis? Essa mesma. Sejamos partidários do livre arbítrio, do foda-se consciente de quem sabe para onde está indo, ou não, mas que vai mesmo assim. Sejamos livres mesmo quando estivermos amarrados a um pé de mesa qualquer.

Mas vamos deixar com que as coisas simplesmente acontecam. Que eu mude de cidade e você de país. Que meus pais se separem e os teus se casem novamente. Que eu mude de endereço sem sair de casa porque a prefeitura quis assim. Vamos deixar que a juventude n
ão passe e que nossos sonhos não morram, mas sejamos honestos e vamos deixar a vida acontecer. Você vai continuar praticando sexo casual com aquele teu amigo e eu vou continuar escrevendo sobre isso. Você vai continuar indo pra casa dos teus pais de final de semana e eu fugindo da casa dos meus. Iremos sair para jantar cada um no seu planeta e vamos nos esbarrar virtualmente em algum plano paralelo. Mas vamos deixar as intenções de lado. Os amores de dentro. As promessas de fora.

Eu já falei que o príncipe encantado foi morto por uma dívida na boca de fumo que ele estava devendo dinheiro, então abre a porta da tua casa e corre atrás do dragão porque ele também vai casar e ter filhos e ir viajar com a princesa no feriado de tiradentes como uma promessa 'in memoriam'. Você sabe, no final todo mundo vira amigo e faz sexo e a gente fica ali com todas as dívidas nas mãos pensando no quanto foi idiota em ficar guardando e agora todos dão risada na roda gigante e a gente tá aqui embaixo esperando na fila pra andar no pedalinho.

A gente vai conversando e o papo é incrível mas isso não quer dizer que eu vou achar incrível a cara que você faz quando acorda. Não existe namorado de mesa de buteco, eles chamam-se amigos, assim como não existe amor como conto de fadas. A mágica mais real da tua vida é a do
Cris Angel e ele é ilusionisma então acorda que essa mágica não existe, ela só gera renda e talvez um 'wow' de quem assiste pela primeira vez, mas isso passa.

Tudo deve nascer com o convívio e eu sou a favor da rotina como o maior teste que pode existir pra um relacionamento. Mas que ele comece assim. Esse lance de comecar como amigos e ent
ão nascer algo genial pra mim nada mais é que um suicídio de amizades. Você acha a pessoa incrível e então começam a namorar e descobre que ela na verdade é um pé no saco, odeia os pais e pretende fugir pra Mongólia com 32 anos porque leu numa revista que o mundo ia acabar em 2012 ou 2014 e pretende ser um guerreiro vesgo na próxima encarnação. Aquela rotina tão gostosa de ir descobrindo, pra mim ela sim, gera o verdadeiro amor.

Ent
ão se você me perguntar: quais as tuas intenções contigo? Eu posso responder: Nenhuma.

30.3.09

Lugano

Às vezes tentamos, talvez não com tanto afinco quanto deveríamos, mas seguimos tentando. Felizmente eu não estou aqui para dizer que não existe reconhecimento por aquilo que eu tento fazer, só que as vezes ele não é devidamente exteriorizado. Eu fecho os olhos e rezo. Abro enquanto escuto acusações de que estou tendo um chilique e é bem na hora em que me pergunto se eu sei realmente o significado dessa palavra. Levanto, pego o tocador de músicas e relembro algumas velhas canções. Pego o caderno de anotações e a caneta, coloco o celular para despertar e deito novamente. Fico sentado na cama enquanto escrevo e observo algo que talvez eu jamais entenda.

Alguém por mais que possa te amar não significa que seja capaz de te dar as coisas mais simples que você precisa. Isso já aconteceu comigo. Nessas horas eu vejo o quanto é difícil compreender e ser compreendido quando apenas atos, coisas tão extremamente pequenas e que beiram o insignificante para aqueles apaixonados é justamente o que estamos buscando, precisando e esperando.

Não procuro a clássica frase: 'será que estou pedindo demais?'. Já a usei por tempo demais. E não procuro pelo simples fato de que o que eu necessito para ser feliz NUNCA será demais e sim necessário para manter em mim aquele sorriso bobo que eu adoro ter na cara.

Namorar não é apenas ter alguém para estar ao lado e fazer sexo. É algo que vai além de tudo isso. É aquela frase, aquela pessoa que vai pedir para você andar do lado de dentro da calçada e você não vai entender até alguém te contar que isso é sinal de proteção. A pessoa se coloca do lado onde as probabilidades são maiores de um carro atropelar, cair água ou um vaso de um prédio e por aí vai. É aquela vontade de conversar mesmo quando não há mais nada a dizer (vide emoticons no msn). É dar um abraço com o corpo e sentí-lo na alma. É o 'eu te amo' no café e no lugar do bom dia escutar: 'você é a pessoa mais linda do mundo' e você sabe que isso não é verdade, mas você sente a sinceridade de alguém que te acha simplesmente por te amar e isso vai te dar um brilho que só você vai ter. É o dar as mãos. É o querer estar mais perto mesmo quando se está junto. É o ocasional e o inesperado. É a vontade de esquecer do Mundo por alguns segundos. è fazer você sorrir mesmo que você esteja chorando. É simplesmente te fazer feliz e isso nunca será pedir demais. O dia em que eu achar que é, será o dia em que aceitarei e viverei sozinho.

Até que a morte me separe, de mim mesmo.

Suiça
14/2/2009

12.3.09

Busco e esqueço

Talvez eu tenha gritado junto.
Cortaram a linha, e eu me perdi.
Não foi linear a história,
nem o final foi premeditado.
Acabou? Recomeço então.
A confusão das palavras mal ditas
e dos diálogos que eu deixei na metade
ou nem comecei.

Me afasto em lágrimas
ou em sorrisos?
Me conte mais sobre você
me dê algo que eu não tenha.
Seja feliz enquanto eu estou aqui.
Façamos então o mesmo percurso,
você ainda lembra qual era o nome da rua?

Acho que já me perdi aqui uma vez
me lembro daquele poste marcado
das tuas rugas todas, de expressão séria
e das minhas de encanto de um novo lugar.
Não queria mas fiz. Vamos comigo?
Leia mas não diga a ninguém que o fez.
Me conte o que achou e minta
dizendo que não vive sem mim.

Aquela faca não cortou de novo
peguei um garfo e atirei
sempre errei o alvo, não é mesmo?
Deixe que o copo caia de novo, eu limpo
e estrago novamente alguma coisa inútil
enquanto você nem repara que eu existo
na espera do dia em que não viverá sem mim.

Esquece aquilo, não quero voltar.
Foi tudo ilusão passageira,
mente perversa de quem tem tempo demais
fome demais, vontade demais e ama pouco.
Arraste o sofá e deixe cair o mundo
em cima de alguém desesperado que passe pela janela
mas não grite socorro, não te escutos
e nem a mim mesmo e nem aos outros.

Me copie em um gesto e me atire uma palavra
ou três ou nenhuma ou todas.
Dirija-se a mim como se fosse um qualquer,
igual você sempre faz não é mesmo?
Não siga naquela direção,
não quero te ver de costas, quero que você me veja
em uma rua qualquer que eu me perca de novo
mas sorria por estar perdido.

Era quase natural o desespero.
Não sobrou ninguém em mil contatos
e sobraram todos os fantasmas do passado.
Reavivaram a eles todos e esqueceram de nós.
Força incontida de uma mão reluzente
brilhoso metal jogado, atirado, esquecido de novo.
Avisa que eu não vou chegar hoje
e nem outro dia.

Havia uma calçada também do outro lado
então porque estamos desse?
Vamos dividir e parar de subtrair
eu vou ali sem você,
me somo a um corpo qualquer e descubro
que não há nada. Enquanto você o faz
e descobre que existe tudo.
Não quero o inverso, nem você.
Façamos uma nova busca.

Eu te esqueço e você me acha.

Não faça isso ou
faça tudo o que der.
Me deixe ali no canto e corra.
Seja o que não sou enquanto
eu tento ser o que você é.
E não me machuque hoje
e nem amanhã quando não me tiver.

Atenda com um sorriso e eu digo
um bom dia qualquer vazio
de quem já não tem vontade de ligar
nem de fazer e estar.
Iludam-se mortais enquanto eu bebo
alguma coisa qualquer para esquecer.
Sem álcool por favor, não tenho do que fugir.
Você fica no longe, não preciso nem correr.

Esconda-se novamente e desapareça
ou deixe que eu o faça e não me impeça
peça.
um quebra-cabeça desmontado
o inverso traz a minha foto e uma lágrima
só vire em caso de emergência e afogue-se
em uma gota borrada e seca
lembrando que poderia ter feito tudo.

Tirei algumas fotos para guardar
e nem posso rasgá-las para esquecer
nem apagá-las para não repetir
e já não abro a porta para receber o ninguém
e brindar uma vitória que eu não tive.
Mas lembre-se da nova busca.
Corra, enquanto estou lúcido.

O mundo vai acabar para alguém hoje,
e vai começar para outra pessoa.
Em qual lado estou? acabou?
você. eu. nós.
O que é começo e fim?
Esquecemos de voltar e lembrar
e de viver também enquanto eu repetia
o mesmo vídeo de fotos inúteis
que eu queria de volta e de novo.
Diferente. Novo. Surpresa.

Cadastre-se em um rosto qualquer
peça para ser amado ou esquecido.
Transe sem vontade, sem pudor
que seja comigo ou com o Mundo,
mas saiba escolher bem.
Não volto duas vezes para o mesmo espaço
a não ser que você peça.
Caso contrário não haverá mais nada.

Façamos uma nova busca.

Eu te esqueço e você me acha.

7.2.09

Bem-vindo a Barcelona.

Barcelona. Era exatamente esse o lugar da entrada e da saída. Mas isso poderia ser mais de uma vez. Era o caso. Estou sentado no aeroporto de Barcelona, capital da Cataluña, España. Setor de embarque M4 entre as portas 40 e 45 esperando me avisarem qual é a porta em que eu devo embarcar em um vôo que me levará para Milano. Outra cidade nova. Outros tantos de sensações. Talvez alguma despedida com ou sem graça. Mas eu quero falar do presente e do passado, aquele que ficou mas que está perto demais. Meu passado presente: Barcelona.

Cheguei no dia 31 de janeiro, por volta de 13h30min aproximadamente depois do vôo ter atrasado. Na verdade eu acho que vou voltar um pouco as coisas. Vou comecar pelo aeroporto de São Paulo. Pela ansiedade de entrar em um país europeu pela primeira vez e toda aquela áurea e ditos e conselhos e cuidados sobre as pessoas que estavam sendo barradas no aeroporto Barajas em Madrid. Pânico, claro. Ao fazer o check-in perguntei informações sobre minha conexão em Madrid, se estaria bem sinalizada e etc. Afinal de contas, caso quem esteja lendo não saiba, eu tenho certos pânicos e um deles eh chegar atrasado e perder horas e vôos. Então eu em muitas coisas sou um pouco metódico e precavido. Ok, as vezes passo um pouco desse limite racional. Voltando ao check-in eu fui informado que estaria bem sinalizado mas que eu deveria prestar muita atenção uma vez que a imigração ficava para a esquerda, mas que eu NÂO PODERIA (o funcionário falou exatamente assim) EM HIPÓTESE ALGUMA passar pela imigração em Barajas uma vez que eu não poderia sair da área de embarque, afinal de contas eu nem com a mala deveria me preocupar, ela já estava sendo etiquetada diretamente a Barcelona. Senti aquilo como uma primeira vitória. Contra mim e contra todos os que achavam, tinha certeza, desejavam ou só brincavam que eu iria ser barrado. Entendi completamente todas as indicações e fui direto para a área de embarque claro que sempre dentro de uma certa preocupação. No fim das contas o vôo saiu com um atraso de 1 hora e eu nem percebi. Tudo estava indo relativamente bem. Apenas esqueci de mencionar o fato de que havia reservado o assento com o mesmo número da minha tatuagem e na hora de olhar o cartão de embarque eu pude perceber que estava uma poltrona atrás e no corredor. Para quem já estava encarando diversas sensações e idéias novas, talvez fugir um pouco da regra da janela fosse uma boa conduta.

Agora sim, cheguei no dia 31 de janeiro, por volta das 13h30min e já um pouco atrasado para pegar o próximo vôo que saia em torno de 14h10, algo assim. O vôo havia sido algo nada tranquilo, com turbulência em todas as horas que estava para dormir, e daquelas que o piloto vai ao microfone e manda apertar os cintos, então acredite em mim. Não foi nada tranquilo. Nas primeiras 3 ou 4 horas eu conheci uma brasileira simpaticíssima, que aliás só foi possível exatamente pelo fato deu estar sentado no corredor e ela também porque não gosta de viajar na janela. Dei risada, ouvi música, fiquei totalmente entediado e sobrevivi as 10 horas de vôo. A única parte legal era que o único assento vazio do avião era justamente o do meu lado e que eu dividia com uma portuguesa que as vezes se esticava para tentar dormir. Foi o único momento em que eu realmente dormir, algo em torno de 3 horas, foi quando eu pude me esticar de forma agradável em duas poltronas e apaguei. Voltando ao aeroporto de Barajas, cheguei obviamente com o cú na mão, afinal de contas eu não tinha certeza se passaria ou não na imigração em Madrid. Na hora de descer, tive que atravessar uma área plana e vazia do aeroporto que já demorei 15 minutos no total só de esteiras rolantes, depois 5 minutos de fila para passar em detector de metais (abro parêntesis para dizer que aqui na europa não é simplesmente passar as coisas que traz consigo no dector e pronto. você precisa tirar todas as jaquetas que usa, relógio, sapatos e etc. por sorte não precisava porque era tênis, ou seja sem metal) e depois mais alguns minutos para conseguir chegar até a área de embarque, que obviamente já havia sido iniciado, mas foi tudo tranquilo. digamos que tranquilo demais, claro que apesar de todo o estresse que eu passava já naturalmente. Sentei na poltrona e já nem me importava mais qual era. Corredor de novo em um avião com apenas 6 poltronas de largura. Pequeno mas absurdamente vazio. Do meu lado, e isso agradeço de novo ao fato de não ter me sentado na janela, conheci uma mulher da Republica Dominicana que era casada com um espanhol e morava em Barcelona, ou perto, não lembro e que tinha uma das crianças mais bonitas que eu já ví na vida. Loiro de olhos azuis. Era encantador apesar deu não gostar de crianças ali eu teria adotado com o maior prazer. O choro de manha inclusive foi algo que me fez sorrir. Conversamos durante um determinado tempo e a deixei curtir a criança que provavelmente já não deveria mais aguentar tantas horas de vôo, afinal também estava vindo, assim como todos os que estavam no vôo, da América Latina. Conversei também com a senhora que sentava na poltrona da janela e que era da Colômbia ou Venezuela, algo assim e que me disse para ter cuidado em Barcelona no metrô que lhe haviam roubado a carteira por um espaço minúsculo dentro do vagão. Ok, todos os recados anotados.

Cheguei. Cansado. Saco cheio. Já estava quase a 20 horas viajando e aquilo estava me matando. Fui pegar a mala. Surpresa, ela não conseguiu fazer a conexão expressa que eu fiz. Fui fazer o aviso de extravio de bagagem. Uma hora de fila porque isso afetou todas as pessoas que vinham de São Paulo e fizeram conexão. Ok ótimo começo!

Bem-vindo a Barcelona!

21.1.09

Lápis e borracha.

Era como se toda a minha personalidade tivesse sido escrita a lápis e agora alguém tentasse apagar enquanto eu crio novos desenhos, novos traços para marcar algo que eu via perdendo-se no tempo e espaço. Onde será que foi que isso mudou? Talvez tenha sido num ato tardio. Meu? Ou de outrem.

Passei da decisão ferrenha para uma INdecisão tão complexa quanto fora da minha realidade. Camiseta azul ou branca? Meu Deus! Isso não era algo na qual eu precisasse me preocupar, ao contrário, as coisas já se formavam na minha cabeça como se eu já tivesse nascido com aquilo pintado em um quadro e pendurado na minha parede. Apagaram o quadro também?

Eu vou andando nesse meio de pedras tentando achar tudo o que eu perdi. Ficaram tantas coisas para trás que eu precisarei de um local maior para guardar tudo o que acabou caindo. Ou será que eu deveria simplesmente continuar andando como se essas pedras nunca tivessem sido parte de mim? Viu! É disso que eu falo. A indecisão até na hora de escrever um manuscrito qualquer em uma quarta-feira chuvosa. Onde foram as idéias e os sonhos?

Novos caminhos recentes foram traçados e me amedrontam mais do que me lançam a um destino certo. Talvez o tempo, esse grande amigo de todos os que o sabem usar, que tem fugido de mim, confesso, mas que agora talvez seja ele quem me trará a solução de todos os problemas que eu criei ou que me foram dados. Viajar e esquecer. Me isolar do mundo por alguns dias como tenho planejado a tanto tempo. Esquecer. Deixar tudo aquilo para trás enquanto eu vou descobrindo quem são e quem sou.

Meu desafios sempre foram a melhor parte de mim, mesmo para aqueles que não me conhecem. Mas que deveriam. Eu tento, sempre escutar aquilo que meu coração diz, mas as vezes ele prefere se calar e deixar que as coisas aconteçam sozinhas. Ele tem razão. Vamos brindar ao destino, seja ele fabuloso ou fantasioso. Real ou irreal. Decidido ou não. Vamos brindar a uma nova era, a um novo caminho, um novo mundo dentro de mim e a todos os novos riscos e traços que me tornarão cada vez mais um esboço daquilo que eu sempre quis ser.

Te vejo em uma nova era.

12.1.09

Café da Manhã

Eu quero fazer parte do café da manhã de alguém.
Aquele bilhete ao lado do suco de laranja,
e a ridícula discussão sobre o nome do restaurante da semana anterior.

Eu quero fazer parte do café da manhã de alguém,
enquanto conto histórias de um passado que
parece tão distante a partir do ponto em que nos conhecemos.
Porque tudo em mim parece ser metade
de outra parte de alguém.
Aquela do meu café da manhã.

Eu quero fazer parte do café da manhã de alguém,
e chegar de toalha na cintura
para olhar os carros pela janela enquanto sou observado de dentro.

Eu quero fazer parte do café da manhã de alguém,
quando a música no rádio parece soar alta demais
e eu não conseguir escutar nem meus pensamentos,
mas saber exatamente aonde eles estão guardados
ou indo em direção ao 'mais do mesmo'.
Enquanto danço em cima de um sofá qualquer
e arremesso almofadas para arrancar um riso bobo e dizer:
"hey, pula comigo?"

Eu quero fazer parte daquele café da manhã
que eu nem bem ao certo sei o que está sendo servido
mas que fora preparado por mim ou por você.

Eu quero fazer parte de um café da manhã,
qualquer que seja ele ou onde seja.
Que a minha casa seja a tua.
Enquanto jogo água através de um box
para te molhar de leve e fazer você entrar comigo
nem que seja para dizer: "você molhou minha roupa"
e brigar comigo, naquele jeito tão infantil que a única forma
de ficar bravo é com uma risada de canto de boca e um abraço.

Eu quero fazer parte de um café da manhã,
ao meio dia de um final de semana preguiçoso
em um inverno qualquer.

Eu quero fazer parte de um café da manhã
em que eu tenho de ser arrastado.
Aquela manhã que todas as cobertas precisam ser arremessadas
e cócegas rolarem entre beijos de bom dia,
com promessas de dias melhores e passeios.
Um bom jantar e um bom café para aquecer o que estará por vir.
Na esperança de uma noite tranquila
em que ao acordar eu sei que estará ali,
mais um bom café da manhã.

Sabe,
hoje eu acordei pensando:
Eu quero fazer parte de um café da manhã!

29.11.08

Boston

Você veio com aquele olhar perdido de novo
e aquela voz indecifrável.
"Amor, você está triste ou isso é apenas sono?"
Eu posso te levar pra cama se você quiser,
mas essa tristeza que você carrega aí dentro
ainda existem muitos caminhos para que você abaixe a cabeça.

"Porque você vai embora?"
Eu lembro de você me perguntar com olhos marejados
mas havia uma distância entre nós
mas eu ainda penso em ir embora
só não sei se essa é a hora.

Disseram para mim que eu deveria escutar meu coração.
Mas todas as vezes que eu tento eu fico surdo
de tanto que ele grita o seu nome
e ecoa dentro de mim como se mil tambores
soassem a sua partida a cada vez que fecho os olhos.

Desculpa por todo esse mal, mas eu penso em ir embora.
Você me disse que não voltaria,
Mas eu posso ir até você,
Espere-me.
O Mundo talvez seja pequeno quando o amor é muito grande.
Você disse:
"Você tem mesmo que ir embora?"

10.10.08

Ahhh a Saudade!

Eu parei para pensar. Acho que havia aprendido a encarar a morte de uma forma quase 'positiva'. Não encurtia mais aquela idéia de sofrimento eterno e etc. Estava mais consciente, mesmo que por minha total e própria conta, porém mais consciente. Era uma quinta-feira e eu estava indo correr no parque, como fazia todas as noites após a faculdade. Horário: 11 horas aproximadamente.

Celular toca: Mãe chamando. (Mau presságio, ela nunca liga).

- Alô
- Onde você tá?
- Indo correr, pq?
- Me encontra no Hospital Cristovao da Gama
- Aconteceu alguma coisa?
- Seu avô tá passando mal.

Ligo e aviso meus amigos. Correr ficará pro dia seguinte.

A primeira coisa que eu pensei, confesso, foi um ataque cardíaco, afinal de contas eu cresci com o meu avô tendo problemas no coração, infartos e congêneres. É o pai da minha mãe, o único que eu tinha vivo. O detalhe surpreendente é que no dia seguinte era a missa de sétimo dia da mãe do meu pai, minha última avó. Agora ó tinha aquele avô, e estava pronto para o amarrar no pé da mesa caso fosse necessário.

Chegando no hospital descobri que na verdade era uma dor abdominal até então sem origem conhecida. Quem estava precisando agora de um exame do coração era eu. Passou no médico em Santo André, voltamos para Mauá, fui para casa enquanto voltavam para Santo André e terminaram a via sacra em São Paulo na Santa Casa. Diagnóstico: Aneurisma GIGANTE de aorta. Acredite, era ENORME. Internaram meu avô.

A semana foi sensacional. Acordava cada vez mais cedo para poder ir para o escritório e depois cuidar da fábrica enquanto ele estava fora e minha mãe ia para o hospital. Segui essa rotina a semana seguinte quase inteira. Marcaram a cirurgia para quinta-feira. O risco era mais ou menos 50%. O caso era considerado extremamente grave. Pensei em todas as coisas que foram possíveis. Ligava todos os dias, mas em nenhum eu visitei. Ia para o hospital sempre, mas ficava do lado de fora. Tinha pânico de andar pelos corredores. Sentia como se meu corpo fosse ficar ali aprisionado e nunca mais saísse. Acho que se a lanchonete conseguisse fabricar uma quantidade ilimitada de coxinhas, eu teria comido todas.

No segundo domingo de internação eu o vi. Estava como sempre com cara de bravo. Digamos que o meu avô com a família não era a pessoa mais dócil do planeta, mas eu estava em pleno treinamento para que ele aprendesse a ABRAÇAR. Acreditem, era uma tarefa árdua! Mas tudo parecia estar sendo muito bem coordenado e direcionado. Ok, havia uma certa pressão em cima de mim por 27 motivos, mas que não fazem parte do post.

Foi a última vez em que eu o vi.

Eu carregava dentro de mim a certeza de que ele sairia daquela e ainda mais forte. Não foi possível. Na última vez que o vi, mostrei a tatuagem que fora feita em sua homenagem e disse a ele: Você sabe que eu te amo né? Não vai esquecer? =] Eu consegui dizer adeus, mesmo sem saber que aquilo era um adeus. Ele disse que também me amava.

Como sempre, eu saí do hospital e parecia que tinha sido atropelado 27x pelo mesmo caminhão. Sempre acontece assim. Na quinta-feira ele foi operado. Acho que não preciso explicar muito né? A rotina, tão temida rotina que estava me envolvendo hoje já transcorre de uma forma quase sutil.

A missa de sétimo dia? Não fui em nenhuma das duas no final das contas. Ok, em 3 semanas eu perdi 50% dos meus avós e 75% dos que eu cheguei a conhecer. Rápido demais talvez. Mas tudo na vida sempre carrega terceiros motivos. Alguns são mais duros de enfrentar. Outros são razoáveis. A vida é perfeita enquanto acreditamos nela.

O caminho não parou para mim. Nem os sonhos e conquistas. Acho que na verdade foi até um empurrão do tipo: "Mexa-se ou Ficarás!". Funcionou caso queiram saber. As coisas fluem. A saudade fica mas o legado nunca morre. A memória fraqueia, mas sempre haverá uma foto. Eu não sou o mesmo de antes.

6.10.08

Ainda há muito.

Tenho tanto o que falar. São palavras que as vezes quase me escapam. Mas eu persisto talvez nos mesmos erros de sempre. Se você for embora agora, eu poderia continuar a ser quem sou, mas saberia para onde estou indo?

As peças não se encaixam mais enquanto eu procuro palavras que eu joguei para o vento. Não finja. Existe uma esperança morta dentro de cada um de nós e eu não sei porque ainda batemos na mesma tecla que nem existe.

Apenas durma agora enquanto os trovões estão lá fora. Não finja mais. Estamos no mesmo barco há algum tempo e mesmo que ele afunde, estaremos talvez mais juntos que nunca. Isso engloba muito mais de mim que de você. São meus amigos e amores. Eternos pedaços de mim.

Eu conseguiria, mesmo que com alguma dor, extrair de mim muito mais. Quando recebo algo em troca eu sorrio. Estou sempre tentando encaixar algo em algum lugar. Mas eu não posso explicar porque não desisti ainda.

Eu estarei dormindo quando aquela tempestade cair lá fora. Você já escutou essa música antes e eu continuarei cantando até ela ser escutada por todos os nossos poros. Um dia tão lindo virá. Mas somente se acreditarmos nele. O Sol é guiado por nós. O nosso próprio Sol.

Mas não existe mais como continuar a sangrar as mesmas velhas feridas. Ficaria preso dentro do mesmo furacão eternamente e essa não é minha pretensão. Mesmo que as peças não se encaixem, sempre existirá uma saída. Não finja por favor.

Tentei ser o mais honesto e agora eu pergunto: aonde cheguei com isso? Conquistei o lugar que eu queria dentro de cada um de vocês? De todos ou de ninguém? Dormindo agora. Durma enquanto temos todo o tempo do Mundo, ele é nosso.

E se talvez o amanhã não vier, haverá tudo o que viví hoje e isso me bastará para sorrir de uma forma quase boba. Se o amanhã não vier eu estarei seguro de todo o caminho que percorrí. Sei qual foi meu melhor e meu pior. Sei minhas marcas, fraquezas e virtudes. Sei muito mais de mim mesmo hoje do que jamais soube em toda a minha vida. E se as peças não se encaixarem mais, sempre haverá uma nova peça, uma nova vida, um velho amor.

O amanhã virá.

26.8.08

Sonhos.

Dizem que sonhamos todos os dias, mas que apenas não nos lembramos.

Ok, confesso. Eu tenho me lembrado da maioria deles. E não é uma coisa normal. Não consigo lembrar nem das coisas que acontecem comigo acordado, quem dirá dormindo. Mas tenho sido surpreso com isso.

Outra coisa que me surpreende (talvez até mais), é que em todos os meus sonhos eu nunca consigo ver nitidamente o rosto das pessoas, por mais que eu saiba quem são, e nesses últimos eu tenho visto tudo com uma naturalidade absurda. É quase como se eu estivesse indo ao futuro e vendo o que acontecerá comigo em alguns anos.

Há pessoas que fazem parte de todos eles. Essa noite por exemplo sonhei com uma amiga de Brasília. Haviam mais pessoas também no sonho, fugurinhas carimbadas já. Mas há uma pessoa que tem me visitado simplesmente todas as noites. E eu fico feliz. de uma certa forma eu sei que estou perto.

Eu sinceramente não sei explicar exatamente os porquês e coisas do gênero, mas agradeço, antes de dormir. Todos os dias de minha vida eu tenho agradecido. Por simplesmente tudo o que acontece. E há uma marca. Uma coisinha de nada que eu preciso sempre olhar, beijar em silêncio e dar boa noite.


Boa noite.